Se a minha esperança eu sentir morta,
Ou a crença que eu tenho for vencida;
Se eu me rebelar com a própria vida
E eu fechar à paz (da alma) a porta..
 
Se vier-me a revolta incontrolada;
Se o perdoar tornar-se-me impossível;
Se eu virar um ser frio e insensível,
Eu serei, neste mundo, um simples "nada".
 
Se em mim do bem houver total ausência,
Não passarei de um simples réu confesso,
No Tribunal da própria consciência.
 
E quando aqui cessar o tempo meu,
Verei que fui um ser em retrocesso,
Que pensou ter vivido... e não viveu.

Sá de Freitas

 

                   

  

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