Pensar em ter tudo para si e nada para os outros é distanciar-se de Deus

          Desde os primórdios da humanidade, o ser humano, ainda embrionário, já revelava sua tendência ao egoísmo, procurando conquistar o que de melhor existia à sua comodidade, esquecendo-se dos demais e até aniquilando-os a fim de ficar com a melhor caverna.

          Embora não haja uma comprovação concreta a respeito desse procedimento, não é difícil o imaginarmos , diante do que hoje presenciamos, a despeito das mudanças causadas pela evolução. Grande parte dos que moram em mansões, olha para os favelados como seres inferiores. Nessa disputa desenfreada - do melhor para si - , entram as pessoas ( e abramos aqui espaço às exceções), a usar as mais variadas e destrutivas armas, como, por exemplo, a inveja, a falta de escrúpulo, a ganância, a insensibilidade, o apego exagerado aos bens materiais, a falta de amor ao próximo e, por fim, a sua inobservância aos preceitos das Leis Divinas.

        Dado a esse procedimento da maioria, é que observamos hodiernamente, as gritantes desigualdades entre os seres humanos, em todo o Planeta. Não cogitamos aqui a igualdade absoluta entre todos, por ser impraticável. Caso todos fossem empresários, por exemplo, onde encontrar mão de obra para suprir as Empresas que, por sua vez, suprem o Mercado? Não. Não é essa somente a desigualdade à qual nos referimos. Referimos-nos também à desigualdade de direito, de justiça, de alimentação, de rendas e de outras mais que saltam aos nossos olhos todos os dias. Não vamos entrar aqui no âmbito político, para não distorcermos o assunto, de vez que a política, ultimamente, já  é a própria distorção de tudo.

       Caminhando e observando, vemos, paralelamente, uns deglutindo as mais finas iguarias em Restaurantes luxuosos, e outros vasculhando latões de lixo para não morrerem de fome. Não estendendo mais essa lista, para fugir da prolixidade, perguntamos: Física, orgânica e até biologicamente, qual a diferença que existe entre os componentes dessas duas classes? Que direito têm os mais abastados de levarem uma vida nababesca enquanto as demais criaturas, filhas de um só Deus, arcam-se ante o guampo da miséria?

        Vários argumentos poderão surgir: uns dizendo que se o indivíduo sofre é porque veio ao mundo para resgatar dívidas; outros, dirão que os ricos trabalharam, esforçaram-se e economizaram para atingir o patamar em que se encontram ,etc.

        Não discordamos disso porque há lógica em tais argumentações, excetuando-se o fato de que os mais abastados também têm débitos a ressarcir, caso contrário, não estariam no mundo e que nem todos os que atingiram seu patamar de abastança, o fizeram com honestidade.

        Mas não é ainda, essa a questão. A questão é a falta de compaixão e a indiferença daqueles que tudo têm, para com aqueles que nada possuem. Deus nos colocou aqui para lutarmos, aperfeiçoarmos-nos e resgatarmos nossos débitos. Contudo deixou bem claro a sua Vontade para que auxiliemos-nos mutuamente nesse campo de batalha e, isso, é o que menos acontece nos dias de hoje.

      Podemos ter um ótimo emprego ou uma grande Empresa, carros importados, mansões, poder, títulos, fama ou até influências no meio dos que comandam o mundo. E daí? Por acaso algum desses bens caberá em nossa ataúde? Será que nosso poder, títulos, fama e influências nos possibilitarão alguma regalia após a morte física?

     Infeliz daquele que pensar que sim. 

 Sá de Freitas

 

 

                   

 

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