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Criatura de corpo
atormentado
Que te fundes no
leito da rua,
Teu sofrido espírito
dilacerado
Tem apenas a
proteção da lua!
Desiludido da vida e
esquecido
Na penumbra alada,
mais este fato,
Amante da bebida de
sabor perdido,
De lembranças vivas
do anonimato!
Amas a profana
garrafa que levas
Nos braços, do
futuro em acolhida.
Vives neste sujo
mundo das trevas
Que te tira o futuro
nesta vida.
Desceste ao insano
poço profundo
E repousas nos
excrementos da rua,
Sem amores nem ódios
deste mundo,
Farrapo humano
iluminado pela lua!
João Carlos Almeida
(Rother)



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